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Recibos verdes: quanto guardar por mês para não ter surpresas no IRS
Aprende uma regra simples para guardar uma percentagem de cada recibo verde numa conta à parte e chegar ao IRS e à Segurança Social com calma. Com exemplo mensal.
Atualizado em 17 de junho de 2026. Conteúdo educativo.
A surpresa do IRS não vem do imposto. Vem de não termos guardado.
Quase ninguém se assusta com a taxa de imposto. O que assusta é abrir a nota de cobrança e perceber que o dinheiro já não está lá, foi-se em rendas, compras e meses normais. A boa notícia é que isto tem solução, e é uma solução simples e calma: separar uma parte de cada recibo logo no dia em que recebes.
Não é magia financeira nem “otimização”. É só um hábito. Vamos montá-lo juntos.
A regra simples: uma conta à parte
A ideia é esta: sempre que recebes um recibo, transferes imediatamente uma percentagem para uma segunda conta, uma conta-poupança ou uma conta separada só para impostos e Segurança Social. O dinheiro que fica na conta principal é o que podes mesmo gastar. O resto não é “teu para já”: é dos impostos que vais pagar mais à frente.
Porque é que funciona tão bem? Porque tiras a decisão do momento em que estás tentado a gastar. Quando chega a Segurança Social ou o acerto do IRS, o dinheiro já está lá à espera. Sem stress, sem ginástica de última hora.
Quanto guardar? Uma estimativa para começar
Não há uma percentagem mágica igual para todos, depende do teu rendimento, do coeficiente do regime simplificado, de teres ou não retenção na fonte, e da tua situação na Segurança Social. Mas como ponto de partida, para teres uma referência tranquila:
- Início de atividade, rendimentos baixos: guardar 20% a 25% de cada recibo costuma ser folgado.
- Rendimento médio: 25% a 30% dá uma margem confortável.
- Rendimentos mais altos (a entrar em escalões de IRS mais altos): 30% a 35% ou mais.
Estes números são uma estimativa de segurança, pensada para que sobre, não para acertar ao cêntimo. Se no fim sobrar, ótimo: é poupança tua. Para um valor aproximado ao teu caso, o simulador de recibos verdes faz-te as contas com os teus rendimentos reais.
Lembra-te: há três “bolsos” a alimentar
Quando trabalhas a recibos verdes, o dinheiro que guardas serve sobretudo para três coisas:
- IRS, calculado no regime simplificado sobre uma parte do que faturas (o coeficiente: por exemplo, 0,75 para as profissões do artigo 151.º e 0,35 para outros serviços). A retenção na fonte que algumas empresas te descontam (23%, 16,5% ou 11,5%) não é imposto a mais, é um adiantamento do IRS, que é acertado no fim do ano. Muitas vezes recebes parte de volta.
- Segurança Social, 21,4% sobre 70% dos teus serviços, com um mínimo a rondar os 172 €/mês em 2026. Se for o teu 1.º ano de atividade pela primeira vez, estás isento nos primeiros 12 meses (vê a Segurança Social do trabalhador independente).
- IVA, se aplicável, se faturas acima de 15 000 €/ano deixas de estar isento pelo artigo 53.º. O IVA que cobras nunca foi teu: guardas para entregar ao Estado.
Por isso é que a regra de “separar uma percentagem” é tão útil: cobre estes três bolsos de uma vez só.
Exemplo mensal (estimativa)
Imagina que faturas 2 000 € num mês, numa profissão do artigo 151.º, sem retenção na fonte (porque prevês faturar abaixo de 15 000 €/ano), já a pagar Segurança Social.
- Segurança Social: 21,4% × (70% × 2 000) = 21,4% × 1 400 ≈ 300 € para esse mês.
- IRS (estimativa): a parte tributável é 0,75 × 2 000 = 1 500 €. Aplicando os escalões progressivos de 2026, o IRS proporcional deste mês ronda, por estimativa, 150 € a 250 €, depende do total anual e das tuas deduções.
Somando, guardar cerca de 25% a 30% deste recibo (500 a 600 €) deixa-te tranquilo. Repara: não pagas tudo já, a Segurança Social é trimestral e o IRS é anual. Mas se guardas mês a mês, chegas a essas datas com o dinheiro pronto.
Nota importante: se tens IRS Jovem, o benefício na categoria B só aparece no acerto anual do IRS, não reduz a retenção mensal. Ou seja, durante o ano podes até guardar a mais e receber a diferença depois. Vê IRS Jovem e recibos verdes.
Um plano de poupança em 4 passos
- Abre uma conta separada (idealmente com algum juro) só para impostos.
- Escolhe a tua percentagem, começa em 25% se não tiveres a certeza. É melhor sobrar do que faltar.
- Transfere no dia em que recebes, não no fim do mês. Automatiza se conseguires.
- Revê a cada 3 meses, quando entregas a declaração trimestral da Segurança Social. Se viste que sobra muito, baixa um pouco; se faltou, sobe. Aprende mais em como funciona a declaração trimestral.
Com o tempo, vais conhecer o teu próprio número. E o melhor: as datas de imposto deixam de ser um susto e passam a ser só uma transferência.
Confirma sempre o teu caso
Cada situação é diferente, atividade acumulada com emprego, primeiro ano, coeficientes, deduções. Os valores aqui são estimativas para te orientares, não uma conta fechada. Confirma sempre os teus números com a Autoridade Tributária, com a Segurança Social ou com um contabilista certificado.
Queres uma estimativa com os teus rendimentos? Experimenta o simulador de recibos verdes, em poucos minutos ficas com uma ideia aproximada do quanto guardar por mês. E se ainda estás a decidir entre recibo e contrato, lê recibo ou contrato.
Este artigo é informativo e educativo. Não é aconselhamento fiscal.
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